Unesc aborda prevenção à violência contra as mulheres
- Jarbas Vieira

- há 2 horas
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A Unesc realizou, nesta quinta-feira (20/8), a Roda de Conversa "Tecendo Redes, Rompendo Silêncios", promovida pelo Programa Unesc com Elas em parceria com o Estilo Unesc de Bem Viver e Conviver, o Programa Acolher e a Diretoria de Extensão, Cultura e Ações Comunitárias. O encontro, realizado no Auditório Ruy Hülse, reuniu autoridades da área jurídica e da saúde mental para debater a prevenção e o enfrentamento da violência contra as mulheres. A atividade integrou a Jornada Acadêmica de Psicologia e contou com a participação de estudantes do curso, além de outros interessados no tema.
A mediação e organização da Roda de Conversa contaram com a equipe multidisciplinar do Programa Unesc com Elas, formada pelo professor e psicólogo Zonei Vargas de Cordova, pelo professor e advogado Ismael de Cordova, e pelas professoras Rosicleia Lopes Kaczmarek e Tamara Bellettini Munari.
Na oportunidade, a reitora em exercício da Unesc, professora Gisele Coelho Lopes, fez questão de relembrar que o Unesc com Elas, lançado em maio deste ano, é fruto de um projeto amadurecido ao longo de um ano por um grupo de trabalho multidisciplinar, formado após consulta ao Ministério Público, a partir de uma provocação da reitora licenciada e atual secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta.
Conforme Gisele, o programa hoje oferece atendimento em saúde mental, saúde física e assistência jurídica às mulheres em situação de violência, além de estar conectado a uma rede de apoio que reúne o Ministério Público, a OAB, a Delegacia da Mulher, a Secretaria de Assistência Social e os CAPs. “Toda essa mobilização se faz necessária diante dos dados de feminicídio em todo o país. Mesmo alarmantes, os números que vemos nas notícias ainda são subnotificados, o que torna a realidade ainda mais preocupante e reforça a necessidade de engajamento da Universidade e de toda a sociedade com a causa. A violência está muito próxima de nós todos os dias. e aí eu pergunto: o quanto nós vamos naturalizar isso? A naturalização de algo que não é natural é o grande perigo", afirmou, enaltecendo a iniciativa do debate como forma de encontrar soluções e unir forças.

Mobilização
Gisele aproveitou o momento para anunciar, em primeira mão, que a Unesc assinou, em 1º de julho, o Termo Nacional pelo Enfrentamento à Violência de Gênero no Ambiente Universitário, documento que complementa e reforça a assinatura de um pacto feito junto ao Ministério Público em 2025. O passo dado neste novo momento conduta com a importante defesa da temática que ganha cada vez mais espaço na Instituição.
Parceria que gera frutos e será ampliada
O promotor de Justiça Samuel Dal Farra Naspolini destacou que a parceria entre o Ministério Público e a Unesc já têm frutos positivos, remontando a 2023, com a criação de um grupo de apoio a mulheres em situação de violência doméstica, projeto que já se mostra significativo para a cidade. "Nós já temos aqui com a Unesc, há três anos, o grupo reflexivo de apoio às mulheres vítimas de violência doméstica. As Clínicas Integradas da Universidade também realizam atendimento individual às vítimas de violência doméstica, encaminhadas pelo núcleo de apoio", afirmou. Segundo ele, essa experiência conjunta esteve entre os debates que deram origem ao programa.
Samuel, ao refletir sobre o cenário atual, lembrou que a Lei Maria da Penha completa 20 anos neste mês e traçou um panorama da evolução da medida protetiva desde sua criação, quando ainda havia dúvidas sobre as consequências do descumprimento. Segundo ele, um marco importante veio em 2018, com a criação do crime específico de descumprimento de medidas protetivas. "A evolução na efetividade da medida protetiva é a evolução na prática da proteção das mulheres. Houve um salto nessa proteção em 2018, quando foi introduzido, na Lei Maria da Penha, o crime de descumprimento de medidas protetivas, o que hoje é um dos principais tipos penais nessa área", explicou.
O promotor também citou o trabalho da Rede Catarina, que garante à vítima um contato mais próximo com a autoridade policial. Para ele, esses avanços desmentem a ideia de que a medida protetiva é apenas simbólica. "A medida salva efetivamente vidas. Mas concordo que ainda há muito a evoluir, até que a vítima se sinta efetivamente segura, e não apenas detenha o pedaço de papel", completou Dal Farra.
Escuta ativa e apoio concreto
Entre os aspectos trazidos pela professora e psicóloga Laís Steiner Massari esteve o planejamento de um plano de ação junto à paciente vítima de violência, para que ela consiga prever, em determinados cenários, como agir. "Esse é um processo que vai além do acolhimento, da escuta ativa, de se colocar no lugar do outro. Não adianta eu dizer que ele está fazendo mal para ela. Muitas vezes ela já sabe. Eu estar ao lado, direcionar e mostrar os caminhos, lembrando que ela tem a voz de escolha, é fazer com que ela resgate essa essência e lembre que tem a própria voz", complementou a palestrante.
Cenário em mudança
A desembargadora Salete Silva Sommariva, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, abriu sua fala destacando a gravidade do tema e lembrando que, no Brasil, uma mulher é vítima de feminicídio a cada duas horas. Em seguida, relatou as dificuldades enfrentadas para consolidar o combate à violência doméstica no Judiciário catarinense desde 2010, quando assumiu a Coordenadoria da Violência Doméstica do Tribunal de Justiça. "Quando eu assumi, tinha a maior dificuldade de chegar aos meus próprios colegas. Quando o assunto era violência doméstica, diziam que eram questões que nem valia a pena discutir, quase perfumaria. Ninguém acreditava, ninguém sabia ou ninguém queria saber o que era a violência doméstica", relembrou.
Para a desembargadora, o cenário mudou com o tempo, mas o trabalho de fortalecer a rede intersetorial de enfrentamento à violência contra as mulheres continua sendo desafiador. Ao final, ela citou uma frase atribuída a Alexandre, o Grande, para reforçar o papel de cada pessoa presente no debate. "Quando fazemos alguma coisa por uma pessoa, estamos dando um pouco da nossa vida. Não é por acaso que estamos aqui hoje. Como se participa dessa causa? Não é apenas assistindo alguém falar. Participa-se estando aqui, sentado, presente, estando interessado em aprender e contribuir", concluiu.
Atendimento aberto às vítimas
O Programa Unesc com Elas atende presencialmente nas Clínicas Integradas, no Whatsapp por meio do contato (48) 3431-4598 ou ainda pelo e-mail unescelas@unesc.net. O atendimento é discreto e conta com escuta qualificada, orientação jurídica, apoio psicológico e serviço social.




















