top of page

Doutoranda da Unesc apresenta tese que analisa feminicídios na Amesc

  • Foto do escritor: Jarbas Vieira
    Jarbas Vieira
  • há 8 horas
  • 4 min de leitura

A doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Unesc, Maria Aparecida Casagrande, apresentou sua tese de doutorado com foco no feminicídio na região da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc). A pesquisa nasce de um percurso construído ao longo de décadas de atuação profissional e acadêmica, marcado pelo compromisso com os direitos humanos e pela escuta atenta às formas de violência que atravessam a vida das mulheres.


Com 30 anos de experiência na Polícia Civil e atuação como professora da Academia de Polícia Civil (Acadepol), Maria Aparecida sempre esteve próxima das realidades mais duras da violência. Paralelamente, a docência e o contato com a educação fortaleceram um olhar sensível e crítico sobre a necessidade de pensar caminhos de enfrentamento que ultrapassem a resposta penal. Professora de Direitos Humanos, ela destaca que falar sobre direitos das mulheres é também falar sobre dignidade, proteção e transformação social.


“A minha motivação por este tema teve início no dia 7 de setembro de 2020, quando tomei conhecimento de que uma mulher que eu conhecia havia sido morta pelo ex-companheiro, em sua residência, na cidade de Araranguá, simplesmente porque ele não aceitava a separação”, relata a doutoranda. “Desde então, passei a me questionar sobre a história de vida dessa vítima e sobre como poderia compreender o que aconteceu. Será que alguém havia falhado naquele contexto? Quais mecanismos de proteção poderiam ter sido acionados para evitar aquela morte? Qual é o lugar da educação no enfrentamento ao feminicídio?”, completa.


Essas inquietações se tornaram o eixo central da tese intitulada “Educação e feminicídio: narrativas de ‘terceiras partes’, inquéritos policiais e contribuições da legislação no enfrentamento às violências de gênero (Amesc 2015–2020)”. A pesquisa analisou inquéritos policiais, registros escolares de seis casos e entrevistas com familiares e pessoas próximas às vítimas, revelando como estereótipos de gênero e práticas institucionais naturalizadas podem invisibilizar sinais de alerta e dificultar respostas efetivas.


Trajetória


A trajetória acadêmica da pesquisadora também foi marcada pela internacionalização. Em 2024, Maria Aparecida realizou um doutorado sanduíche de seis meses na Universidade de Coimbra, em Portugal, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em parceria com a Unesc. “Minha jornada acadêmica na Unesc foi gratificante. Recebi todo o suporte necessário, tanto nas disciplinas quanto no acompanhamento da minha orientadora. A experiência internacional ampliou meus horizontes teóricos e fortaleceu a análise crítica da pesquisa”, destaca.


“Minha pesquisa oferece subsídios para políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero, com foco na capacitação de profissionais da educação, saúde, segurança e assistência social. Ela evidencia a urgência de capacitar educadores e operadores de segurança para abordar gênero, direitos humanos e equidade, transformando escolas e demais espaços da rede de atendimento em ambientes seguros e acolhedores para mulheres e meninas, atuando proativamente contra os 'sinais' que anunciam o feminicídio”, ressaltou a doutoranda.


Orientadora da tese, a professora Giani Rabelo ressalta o impacto acadêmico e humano do trabalho desenvolvido. “Orientar essa tese foi uma experiência profundamente marcante para mim, tanto no plano acadêmico quanto no humano. Ao longo do desenvolvimento da pesquisa, acompanhei o compromisso ético e crítico da orientanda ao mergulhar em um tema tão sensível e urgente: a violência letal contra mulheres que resulta no feminicídio, em sua dimensão local e estrutural, num Brasil que, apesar de avanços legais, ainda registra números alarmantes dessa forma extrema de violência de gênero”, contou Giani.


A professora lembra que a partir dessa investigação, fica ainda mais evidente que a contribuição dos pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Unesc, enquanto Universidade Comunitária engajada com a região do extremo sul catarinense, vai além da produção acadêmica. “Ela se traduz em um compromisso concreto com a promoção de práticas educativas, formação profissional e engajamento comunitário que fortalecem o enfrentamento da violência de gênero no território, posicionando a universidade como um agente ativo de transformação social e de apoio à construção de respostas mais eficazes e sensíveis às demandas da regionais”, mencionou Giani.


“Ao longo da pesquisa, ficou evidente que a legislação, ainda que essencial, não atua isoladamente. É preciso que a educação desempenhe papel central na desconstrução de estereótipos, no fortalecimento de práticas pedagógicas que promovam igualdade de gênero e na formação de profissionais, tanto no campo educativo quanto no sistema de segurança pública, capazes de reconhecer e responder de modo eficaz às violências. Esse é um ponto que Maria Aparecida abordou com enorme sensibilidade: a educação não é apenas tema de análise, mas também parte da solução para enfrentar a raiz cultural da violência de gênero”, descreveu Giani.


Sobre a pesquisa


A pesquisa analisou os feminicídios ocorridos no extremo sul catarinense entre 2015 e 2020, buscando compreender a dinâmica desses casos e as contribuições da legislação educacional e de outros dispositivos legais para a prevenção das violências de gênero. Os resultados indicam que abordagens educativas fundamentadas em direitos humanos e equidade possuem potencial para promover mudanças culturais relevantes. A investigação identificou recorrências nos contextos que antecedem os feminicídios, como conflitos relacionados a separações e ciúmes, além de diferentes modalidades do crime, ampliando a compreensão sobre a complexidade do fenômeno. O estudo também chama atenção para os impactos que se estendem além da vítima direta, especialmente sobre crianças e adolescentes que permanecem marcados pela perda materna.


Os achados demonstram que os feminicídios costumam ser precedidos por sinais presentes em diferentes espaços da vida social, incluindo relações afetivas, ambiente familiar, trabalho e instituições de cuidado e proteção. Nesse contexto, a educação se apresenta como um espaço estratégico para a promoção de valores voltados à dignidade humana, ao respeito e à prevenção das violências, ainda que enfrente desafios para atuar de forma mais consistente. A pesquisa ratifica o feminicídio como um fenômeno social e histórico, passível de prevenção, e aponta a importância de ações integradas entre educação, legislação e políticas públicas, com investimento contínuo, articulação entre serviços e fortalecimento das redes de atenção às mulheres.


 
 
Sombrio saneamento.png
Logo - Sicoob Credija colorida.png
WhatsApp Image 2026-03-05 at 09.33.43.jpeg
WhatsApp Image 2026-03-03 at 17.34.09.jpeg
LOGO JV 2024.png
LOGOS.png
Jarbas Vieira 2016 - Todos os direitos reservados - Sombrio (Santa Catarina)
Administrado por J Vieira Comunicação LTDA

Contato: (48) 99966-5326 / e-mail: jarbasjornalista@gmail.com

 
bottom of page