Eleições 2020: Ricardo Ghelere fala sobre denúncias no Cis Amesc e o crescimento de sua pré-campanha
- Jarbas Vieira
- 28 de mai. de 2020
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Em entrevista exclusiva ao site, o empresário, advogado e gestor em Saúde, Ricardo Ghelere, falou sobre sua pré-candidatura a prefeito de Araranguá, as denúncias sobre supostas irregularidades no Consórcio Cis Amesc e sua atuação como Presidente do Instituto Maria Schmitt-IMAS que atualmente é a maior organização social de atendimento à Saúde em Santa Catarina. O bate-papo revelador traz informações ainda não divulgadas e um desabafo do empresário que afirma ver com estranheza notícias de dívidas no Consórcio CIS Amesc. Segundo Ricardo, em sua gestão a entidade apresentava balanço positivo e chegou a economizar na compra compartilhada de medicamentos mais de R$ 40 milhões em quase 12 anos de atuação.
Jarbas Vieira: O que pesou na decisão de ser pré-candidato a prefeito de Araranguá? Ricardo Ghelere: Percebo na população um forte desejo de mudança. Araranguá estacionou nos últimos anos e precisa voltar a crescer com novas ideias, apostando em projetos inovadores e na sua força de trabalho. É hora de olhar pra frente. Acredito que com gestão técnica, cortando despesas e privilégios, reduzindo cargos comissionados e organizando um setor exclusivo para produzir projetos a todo vapor, teremos mais investimentos para o Município e melhorias para a população. O próximo prefeito terá muito trabalho pela frente. Agilidade, dinamismo e responsabilidade são virtudes que não podem faltar ao novo administrador. A Administração Municipal precisa ser técnica e eficiente. Chega de achismos, oportunismos e cabides de emprego.
Jarbas Vieira: Como você avalia sua gestão à frente do Instituto Maria Schmitt-IMAS? Ricardo Ghelere: O Imas é uma história para se orgulhar. Em apenas dois anos tornou-se a principal Organização Social da Saúde em Santa Catarina administrando nove unidade no estado e uma no RS. Comandar instituições grandes como o Hospital Regional de Araranguá, o Hospital Florianópolis, as UPAS de Criciúma e Balneário Camboriú deixando em cada uma delas um legado de melhorias e evolução é sobretudo recompensador.
Fico muito feliz ao olhar para trás e ver que conseguimos em tão pouco tempo recuperar o HRA, que agora está revitalizado depois de 30 anos sem receber investimentos de infraestrutura, implantamos novos serviços e o dobro de leitos de UTI . Quando assumimos a gestão em 2018 eu disse que lutaria para dar a região um atendimento humano, digno e com estrutura adequada. Com a parceria do Governo do Estado hoje temos um atendimento muito melhor e somamos avanços. O mesmo aconteceu em todas unidades administradas pelo IMAS. Só tenho a agradecer aos mais de 1200 colaboradores e 600 médicos que atuam na linha de frente para que a população possa ser bem atendida. Gerir com eficiência é nossa responsabilidade.
Jarbas Vieira: Você foi citado em um relatório que aponta supostas irregularidades e desvios de recursos do Consórcio CIS Amesc em 2017, época em que ainda atuava como diretor do órgão. O que teria a relatar sobre estas denúncias? Ricardo Ghelere: Estive à frente do Consórcio Cis Amesc por mais de 20 anos e sempre pautei minha conduta na transparência, no respeito aos recursos geridos e na eficiência administrativa. O Consórcio é constituído sob a forma jurídica de sociedade civil de direito privado, sem fins lucrativos, regendo-se pelo Código Civil Brasileiro e legislação vigente. Isso significa que tanto o CISAMESC quanto qualquer outra associação de municípios são privadas. Basta recorrer aos estatutos das instituições que verá essa definição com clareza.
O que nos causa estranheza é justamente uma auditoria do Tribunal de Contas em um órgão de natureza jurídica privada. Reconheço a instituição (TCE) como essencial no controle da gestão dos recursos públicos, jamais me opus a alguma ação de fiscalização, não tenho nada a esconder e tudo deve ser esclarecido no decorrer do procedimento. Acabei de receber a citação, vou apresentar defesa e apresentar todas as provas para que não pairem dúvidas da lisura de todos os processos do CIS AMESC durante minha gestão.
Outra questão importante é que justamente por ser de natureza privada, nenhuma associação de municípios realiza concurso público e tampouco presta contas ao Tribunal de Contas. A própria obra de construção da nova sede da Amesc, avaliada em quase 2 milhões foi realizada sem licitação. Pau que bate em chico, bate em Francisco não é mesmo?
Jarbas Vieira: Em reunião recente na Amesc, os prefeitos relataram preocupações com os débitos atuais, segundo eles na casa dos 3 milhões. Qual sua opinião a respeito deste suposto “rombo” nas contas do CISAMESC? Ricardo Ghelere: Vejo com total estranheza e sugiro que seja realizada uma auditoria nas contas da entidade nos últimos cinco anos. Quando deixei o Consórcio, não haviam atrasos de fornecedores, servidores, as contas estavam em dia e o CIS AMESC economizava para os quinze municípios da região na compra compartilhada de medicamentos em média R$ 3 milhões todos os anos. Isso aconteceu de 2005 a 2017, ou seja, foram onze anos de economia, o que representa R$ 40 milhões economizados para a saúde da região. Todos estes números estão no registro contábil da entidade e podem ser facilmente consultados. Um bom exemplo a ser citado é que o Município de Turvo no ano de 2004 adquiria o medicamento Omeprazol ao preço de R$ 0,15 a unidade. Com o sistema de compras do CISAMESC o preço caiu para R$ 0,04, ou seja, uma redução de mais de 70% somente neste item.
Jarbas Vieira: E sobre um possível empréstimo que você teria feito no valor de R$ 840 mil ao Consórcio CISAMESC. Este fato é verídico? Ricardo Ghelere: As pessoas terão uma grande surpresa quando for apresentada a minha defesa ao Tribunal de Contas. A análise do relatório foi feita especificamente no ano em que deixei o CIS AMESC para me dedicar a um novo projeto. Lamento que o Tribunal não tenha analisado todos os anos em que estive a frente da entidade e comprovado todos os valores que minha atuação como gestor contribuiu para economizar ao caixa do Consórcio.
Sobre o valor citado, não existe nenhum fato ilícito, tanto que os valores estão declarados na contabilidade oficial da entidade e na minha declaração de imposto de renda. Por outro lado, irei solicitar judicialmente todos os extratos do ano de 2001 onde foram aportados da minha empresa particular mais de R$ 300 mil reais para que o CIS AMESC não viesse a fechar as portas. Reforço que os prefeitos jamais contribuíram para a criação do fundo de capital, no entanto o CIS AMESC com minha administração mesmo sem recursos extras dos municípios conseguiu criar na época um estoque de mais de R$ 600 mil reais em medicamentos visando fornecimento contínuo e rápido para todos os postos de saúde da região durante os 12 meses do ano.
Jarbas Vieira: Você acredita que as acusações seriam uma espécie de retaliação política à sua pré-candidatura? Ricardo Ghelere: O meu nome representa para população a única opção de renovação da política araranguaense e isso deve estar incomodando aqueles que vivem às custas da política. Estão em uma disputa egoísta, encaram os adversários como inimigos, como se fosse um jogo onde o troféu é a nossa saúde, nosso emprego, nosso direito a cidadania e uma qualidade de vida melhor. Eu não encaro ninguém como inimigo. Eleição para mim não é um jogo, é sim uma oportunidade de escolhermos nosso futuro. Nossa campanha será transparente, com propostas inovadoras e sem ataques. O que importa é que Araranguá possa ser referência em todos os setores.
Jarbas Vieira: Nas redes sociais, a sua pré-campanha está a todo vapor e sua página no Facebook é a mais movimentada entre os pré-candidatos. Acredita que as Eleições 2020 terão as redes sociais como palanque oficial?
Ricardo Ghelere: Eu sempre usei as redes sociais para ouvir e falar com as pessoas. Acredito que é um excelente canal de comunicação e procuro não deixar ninguém sem respostas, por isso nossa pré-campanha é a que mais cresce na internet. Estamos muito satisfeitos com o carinho e a reação das pessoas, seja no meio virtual e pessoalmente também. Não tenho dúvidas que a internet fará a diferença nessas eleições e vamos aproveitá-la da melhor forma para mostrar nossas propostas e dialogar com as pessoas.

























